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Nem todo “Chico” é Chico de Cori

(Prefácio do livro “E é bonito!)

A história nos herdou várias alegorias que explicam (ou tentam esclarecer) como, e por qual razão, todo Francisco um dia vira Chico. Contam que aqui no Brasil tudo começou quando os jesuítas falavam de São Francisco de Assis para os indígenas e estes, com dificuldade de dicção, rediziam e abreviavam o nome para São Chico, o santo que, segundo a própria Igreja Católica, antes de se tornar Francisco chamava-se “João”. Enfim, parábola ou não, o fato é que o nome de Chico passou a ser/estar presente entre nós.

E assim vários Franciscos viraram Chicões, Chiquinhos, Chicos etc.  E quantos Chicos de fulano, beltrano e sicrano existem por aí? Provavelmente, milhões. Apelidos que os costumes da nossa sociedade trataram de incorporá-los aos sobrenomes, aliás, os converteram, por meio duma espécie de sacramento mundano, em nomes mais intrínsecos e importantes do que os próprios nomes de batismo.

Com o personagem dessa obra não foi diferente e, numa analogia/paráfrase àquele famoso ditado popular que diz “se deu em Chico, tem que dá em Francisco”, o Francisco Alves de Souza, filho de Coriolano, o primeiro Cori, também se transformou em Chico, no “Chico de Cori”, em corpo, alma e espírito.

Os autores registram aqui a sua história, que pode muito bem ser a representação de outras histórias de outros Chicos pelo Brasil (e mundo) afora, que passaram pelas mesmas pelejas na vida, entretanto, a riqueza metodológica da pesquisa e o esmero do casal escritor, quiçá sincronizados no amor e na escrita, tornaram o texto uma obra prima, instigante e prazeroso de ser lido, deixando claro que o Chico aqui retratado, o de Cori (e de Curaçá), foi um ser único, quando visto por dentro e por fora, como o leitor poderá notar isso quando ver o rol de adjetivos citados pelos entrevistados ao homenageado.

Quem não o conhecia, com a leitura adiante terá a oportunidade de mergulhar na sua história. E na mesma senda, ainda irá se deslumbrar com a magia das rodas de São Gonçalo e com o colorido dos Marujos, coisas praticamente impossíveis de serem dissociadas de Chico de Cori, pois foram unidas pela sinergia dos astros, pelo próprio destino. Já quem o conhecia poderá matar um pouco a saudade, quer dizer, reavivá-la dentro de si, uma que vez ele sempre esteve, e estará, num cantinho de nossas reminiscências, com aquele seu jeito alegre e sorridente, dizendo que bonito é a Marujada de Curaçá. E é bonito mesmo!

 

Chico de Cori

Francisco é antenome sagrado. Chico, epíteto ou não, também é divino. E Chico de Cori, assim como o seu nome, que o tornou num personagem folclórico entres os curaçaenses, ímpar como ser humano, singular como homem e amigo, sui generis como marujo e puxador de roda de São Gonçalo, será eviterno, não como um santo, mas como um dos baluartes da nosssa cultura, que ficará para sempre tatuado no inconsciente coletivo, matizado pelas páginas deste livro, tatuado pelas mãos de Caialla e Maurízio. E vívido nas nossas memórias, Chico de Cori atravessará o tempo, como são/fazem as grandes lendas.

Luciano Lugori

Presidente da ACERVO Curaçaense e um desimportante muitíssimo grato por prefaciar esta belezura.

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