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Incompletude poética

Não deu tempo de entregar em vida a sua poesia
E aquele mote, que tanto nos ins(pirava), também era incompletude rara
É verdade mesmo, todo José vira Zé um dia
Mas, como sempre dizíamos, “nem todo Zé é Omara”

Único, querido, amado por uma cidade inteira que hoje se cala e chora sua partida repentina
E agora, como iremos preencher o excesso de tantos vazios deixados por você?
A morte, como uma sombra silenciosa, chegou sem avisar e, como cantava o velho Raul, beijou-te naquela esquina
E levou-te embora, logo agora, quando des(frutava) o melhor da vida, quando fincava suas raízes na terra, por quê, por quê?

Uma história contada por Omara ganhava outros contornos e outros elementos, era exímio nessa arte, e quantos de nós não já fomos contagiados por sua alegria
Era um ser iluminado, um homem de fé, cheio de bondade, um verdadeiro “Odara” que se de(parou) com o seu destino e que agora segue por outra senda
É a morte e seus mistérios: morreu, acabou, é só isso?, du(vida)ria e mais vida lhe daria
Pois os gênios e os ícones podem até viver pouco, como você mesmo dizia, mas no seu caso, morreu o corpo e nasceu a lenda.

E as lendas não perecem jamais
Elas abrem as fendas para o viver infinito dentro das nossas memórias.

Ainda vamos nos encontrar um dia, meu amigo, para fazermos aquelas confabulações que você tanto queria, (eu, você e o professor): t(omara), t(omara), t(Omara)!

Omara presente!
Eterno Omara!!

Deize, Omara e Lugori no CETEP Maria Almeida. Foto: Lugori

Deixo aqui a minha solidariedade aos familiares em nome de Toinha, Júlio e Maria Júlia (as sementes de Omara na terra).

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