Curaçá perdeu hoje mais uma “paisagem humana”. Dona Dália era como um quadro vivo, emoldurado pela janela da sua casa, compondo um cenário de beleza exuberante naquele lugar. O seu nome de flor, a mesma flor pintada pelas cores de Frida Kahlo, que representa gentileza, harmonia e união, também inspirou românticos, poetas e escritores.
Dona Dália carregava uma simplicidade e uma humildade ímpar no seu olhar. Era guardiã da bandeira de São Benedito, sequaz dos ensinamentos de Mãe Sérgia, era mãe e avó de todos nós. Inúmeras vezes vislumbrei-me com a tua presença, com aquela cena cotidiana, como quem tu esperavas na janela alguém passar para poder prosear e contar sobre coisas da vida.
Como versou Vinicius de Moraes, no seu Rancho das Flores, “abram alas pra Dália garbosa”, pois ela está pedindo passagem, ela está seguindo a senda que lhe foi destinada, mas vai deixando pelo caminho, em forma de pétalas, lições e marcas indeléveis.
Dália agora enfeitará outros jardins da existência. Vá em paz, minha Dália negra. Vá florir o viridário celestial, onde os anjos te esperam alegremente.
Luciano Lugori
Professor, Jornalista e Curaçálico
Publicação Original:
http://lugori.com.br/blog/abram-alas-pra-dalia-garbosa



