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A centúria de Seu Luizinho, o velho vaqueiro que seguiu pelas veredas do destino

Contam que tudo tem seu tempo e, como diz o provérbio de origem latina, “tempus longum vitiat lapidem“, tudo passa sobre a terra.

O ícone e emblemático Luiz Lopes Filho, nosso querido e carismático Luizinho, um dos curaçaenses mais longevos, está encerrando sua jornada na terra com quase 105 anos de idade.

Nascido a 18.01.1919, na Fazenda Riacho do Gato, Seu Luizinho, que recentemente lançou uma autobiografia, onde conta suas pelejas durante sua centúria, revela a importância do pai, Luiz Lopes da Costa, e de suas valiosas lições.

Seu Luizinho e Lugori em 2014. Foto: Dione Félix

“Para mim, a pessoa mais importante do mundo foi meu pai”, disse ele no livro. Seus conselhos que falavam sobre manter boas práticas, ser uma pessoa responsável nos tratos e no cumprimento de horários marcados, de não ficar adiando os afazeres do dia, entre outros ensinamentos, tornaram Seu Luizinho num grande homem, honrado e respeitado por todos.

O vaqueiro, que tantos caminhos percorreu, um dia, ainda criança, se perdeu no meio da caatinga, mas como sempre foi um homem de fé, se apegou a Deus e a Nossa Senhora, e fez súplica para que eles o colocasse, juntamente com seu jegue, na vereda correta até o terreiro de sua casa. Ele teve seu pedido atendido. Esse e tantos outros.

A senda de Seu Luizinho foi enorme. O trilhar do seu caminhar foi extenso e permeado de aprendizados, desejos, aventuras, mudanças das coisas, sonhos, fados.

Ele revela ainda que a decisão mais importante da sua vida foi ter botado seus filhos para estudarem. E todos eles se formaram, exceto Eraldo, que, devido às suas condições de saúde, não estudou.

Seu Luizinho nasceu e morreu vaqueiro. Esteve presente, apesar da idade avançada, na Fazenda Saudade, nos festejos da última Festa dos Vaqueiros, ao lado de velhos amigos. Alguns, inclusive, também já partiram.

Era um homem sábio, vivedor e que não temia a morte. Aliás, há anos ele já a esperava, já ensaiava a sua partida. Preparou seu túmulo, comprou caixão, mandou deixar a roupa pronta. Morreu como queria: calmo, sereno e no lugar que desejava encontrar a morte, como descrito na página 197 da autobiografia.

Velório de Seu Luizinho na Fazenda Gato. Foto: Luciano Lugori

Agora fica o vazio daquele quadro vivo, daquela pintura feita pelas mãos do tempo, daquele senhor que andava pelas ruas montado no seu jumento, que gastava horas proseando na calçada com Seu Maroto e Seu Zé Porfírio, um grande homem que arreliou o tempo, que desafiou o próprio corpo, que foi um ser de luz com alma de couro.

Vá em paz, Seu Luizinho!

Um abraço fraterno a toda Família Lopes.

Texto: Luciano Lugori / Fotos: Dione Félix e Luciano Lugori

Ops! Este texto também foi publicado na página do Curaçá Oficial. Clique aqui e veja!

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