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Lamúria primaveril

Quem me dera
ser sempre primavera,
constantemente bela,
exuberante (flor)ação amarela,
destarte, todo dia, você me notaria
e até fotografar-me-ia,
(post)aria vídeo chique
para ganhar clique
no perfil do Instagram,
na sua página de fã,
celebrando minha chegada,
a esperança re(nova)da,
mudança, equinó(cio),
o cíclico (re)início,
mas a vida é se(vera),
e, como uma estação, efêmera,
ora flores, fl(ora) amores
depois, só lamúria e (dor)es,
sem fotos de iPhone
sem clipes de drone
embora,
minha fase vá embora,
embelecida, em qualquer tempo, permaneço
mas parece que não mereço
ser/ter outra paisagem
cumprir o “rito ecológico da passagem”,
às vezes, isso entristece,
pois poucos me re(conhecem),
todavia não me assombra
pois sei que, mesmo fazendo sombra,
quase não sou notada noutros dias
ainda que eu seja a mais pura ecopoesia,
caraibeira na caatinga, caraibeira na rua,
de beleza cênica viva e contí(nua)
em toda e em qualquer estação,
no outono, no inverno e no verão.

(Poesia inspirada/encomendada por Dione Félix)

Veja/escute Lamúria primaveril no YouTube

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