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Isso não é um desabafo

Não, eu não sou o “rei”. Não foi isso que sonhei quando criança. Jamais quis súditos aos meus pés, à sombra da minha própria lei.

Se pensa(m) assim de mim e ainda jura(m) que me conhece(m) como a palma de suas próprias mãos, lamento dizer, ainda tenho tantos mistérios, e eles são tão profundos, que não poderiam ser decifrados, nem mesmo pelo mais famigerado quiromante apenas por uma leitura superficial das minhas linhas sinuosas e enigmáticas. Nem eu mesmo me conheço direito. Surpreendo-me com cada alter ego meu.

Não, eu não sou o “dono” da verdade e nem quero criar/impor uma, mesmo que, em alguns momentos de deslize, minhas atitudes impetuosas, absortas e travestidas de absurdos, apelem para isso. De jeito nenhum sou aquilo, nem aquela pessoa que, já inebriada de convicções, mas sem intenção de maldade, vomita o fel e destila o ódio por sobre as pessoas ao redor.

Sou apenas um errante como qualquer um, e logo me compunjo, me castigo pelos meus “desvios”, e, ainda que eu aparente ser uma fortaleza, meus muros sempre estremecem (mas não caem) quando o terremoto da realidade do dia seguinte chega querendo me derrubar.

Sim, eu sou assim. Desse jeito, mas do meu jeito e não aceito e nem me permito ser outra pessoa e perder minha verdadeira essência apenas agradar alguém. Isso é ruim? Talvez seja! Mas não posso ser a mudança que não é minha. Então, me calo, reflito. E mudo, eu mudo!

Sou um homem que chora as dores sem nenhuma vergonha, que cobra amor e atenção, que ri, que lastima, que xinga, que roga, que tem fé, que acredita e se ampara numa força maior e divina, que tem um d’eu’s imanente, que vive entre céu e o inferno, que abomina falsidade e que é leal. Não abro mão da lealdade aos amigos, mesmo quando me sinto traído e injustiçado por alguns deles. Não negligencio uma amizade que considero verdadeira.

Sim, eu sei dos meus defeitos. Ele são meus e os conheço muito bem. Eu poderia fazer uma lista enorme deles aqui: sou chato pra caramba, por vezes sou tão insuportável que nem eu mesmo me aguento, quando ébrio me exponho ao ridículo em várias situações, quando sóbrio, também.

Portanto, não perca(m) tempo tentando jogar isso na minha cara. Sei que, às vezes eu machuco quem não deveria ser machucado por nada nesse mundo, inclusive minha mãe. Mas quer saber de uma coisa: esse sou eu. Sou exemplo para alguém? Não! Claro que não. Aliás, não para quem não me compreende verdadeiramente. E eu não farei esforço nenhum para que isso ocorra. E assim vou vivendo, quer dizer, morrendo um pouco a cada dia que se passa. Morrendo por fora e (re)nascendo por dentro, melhorando, tentando ser uma pessoa melhor do que fui ontem. Portanto, não me deseje(m) solidão na velhice. Eu odiaria viver/ficar/morrer sozinho.

E sim, eu vou errar de novo para aprender novas lições e depois cometer novos erros novamente e novamente e novamente. Mas tenho um coração que sofre e que precisa se libertar das toxinas do passado, do presente e evitar as do futuro, por isso escuso quem já me fez/desejou o mal, e também peço sinceras desculpa(s) a todos que, por ventura, num dado momento de euforia, enquanto eu enlouquecia e não escutava ninguém, quando estava discutindo sobre política, religião, futebol, música ou outro assunto que sequer lembro, eu tenha mandado “se lascar”, “tomar no cu”, “ir à porra”, “chupar meus ovos” ou tomado qualquer outra atitude que de alguma forma os desagradou/decepcionou/machucou.

Lugori é foda mesmo! Estraga tudo em segundos (isso é outro defeito meu), mas ele também sabe transformar a dor, o medo, o ódio e o sofrimento em poesia. E poesia é amor. E eu amo do meu jeito. Do meu jeito rebelde, revolucionário e louco, por isso desejo amizades fortes, capazes de resistir às grandes “tempestualidades”.

Isso não é um desabafo, é um ato de coragem, é uma concessão de perdões múltiplos a quem ainda não me pediu e, mais que isso, é a minha própria súplica de perdão a todos vocês que um dia já magoei.

A vida é tão bela e tão breve que não vale a pena carregar pesos desnecessários. Quero seguir meu caminho mais leve, com minha saúde física e mental em dia e com meu coração aliviado, sem mágoas e em paz.

Lugori
(Errante, enigmático e sui generis)

 

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Apenas um desimportante que ama Curaçá, sua cultura e seu povo.

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